O importante é jamais desistir de ser você mesmo.
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Entre Noturnos











Queria um copo de café
para refletir mil galáxias.
Mergulharia em viagens
que me levassem longe.
Cavalgar cometas errantes,
rasgar tão velhas miragens
para deitar na luz de estrelas
que me lembrassem nuvens.


Seus olhos refletidos na Lua
enquanto grilos vagabundos
entoam pesares em ré menor!
Suspiros no preço da diária
e velhos boletos atrasados
permeiam a evolução estelar.
Na permuta de sonhos e desejos,
vagando como eterna noturna
esperando amanhecer melhor
no advento da revolução solar.


Meu café não se faz grande o bastante
nesta clausura de plástico translúcido
onde as paredes de uma falsa liberdade
tornam o espaço cada vez mais escasso.
Mas nossos sonhos estarão eternizados
em belas noites carentes de luar!


Imagem de Nicholas Buer, disponível em: http://www.nicholasbuer.com/

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Regressos E Silêncios




















Gritos de um silêncio febril
rompem a noite sem sonhos.
Picos dotados de desencantos
no retorno ao inglório Abril.
Como quem volta do nada
sem direção ou amanhã,
abro a porta trêmula e incerta.

Voltei sem ter porquê,
sem querer e sem saber.
Voltei sem nem sair,
nem mesmo sei chegar.
Ou se cheguei, se fiquei.
Voltei para e por você.
Cheguei por ninguém.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Quem Restou, Pandora?
















Rugas e marcas escondidas
e a única que persiste e insiste
é saber se estás feliz e bem.
Hoje, neste nublado dia derradeiro
no qual repagina-se um quadrante
cíclico, num prolixo retrospecto,
vejo, com inexpressível pesar
e inesperado desespero,
que passei
de um canto ao outro
sem dar
um passo...

Tudo se despedaçando ao redor
deste incômodo com semblante de cristal.
Heróis decapitados num triste perfil
da manhã de espelhos desorientados.
De olhos vendados, um gigante que
retrocede em busca do velho erro
que se faz novo e novamente falhará.
Deveras, nenhuma dúvida que me arreste!
O passado regressando em largo trote
no vermelho do batom que não purgará.

Sobre a economia, contas a pagar!
Tudo o que nunca me pertenceu
num tecido intangível de dívidas
com as quais perpetuam uma vivência
que ainda jogam-me às costas!
São prestações dos sonhos de Prometeu!
Pré-datados na imersão de pensamentos
e desejos sem meios e sem fundos.

Se perguntasses
o que espero destes novos tempos...
Se indagasses,
responder-te-ia ser uma expectadora
revisando, nestas quatro telas,
os reflexos cartesianos
de nossa inefável ambição.

Se me soltasses,
certamente, num certame,
cairia como tola opositora,
agonizando, nas margens do Ipiranga,
o meu primeiro e derradeiro "foda-se".
Se olhasses
dentro deste pedante caixão
verias, tão somente e simplesmente,
que te esperei demais,
e nada mais.