O importante é jamais desistir de ser você mesmo.
Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de novembro de 2019

Alforria













Só se pode entender a liberdade
ao conceber-se a existência da prisão.
O estigma escarlate corrói a pele,
traçado sobre a negra imensidão.
São miseráveis fugidios, cansados,
insones esgueirando-se no bosque,
comendo a terra e o asfalto da manhã
na busca de alguma divina solução.

Só se vislumbra um ponto branco
quando este marca o pano preto.
A exclusão só é algo possível
na seleção como regra plausível.
Falta espaço onde sobram almas.
Carece de física o delírio corporal
na imagética da palavra invisível.

Só sente verdadeiramente a paz
aqueles que ousaram a guerra.
A vida é risível ao que morre.
O rumo é sentido ao que corre.
Uma verdade que jamais erra
é a mentira de quem não faz!

Por mais que se negue, está na pele,
está no rosto de quem devora a fome!
A privatização de dores inaudíveis
das quais não se sabe a explicação.
Está na culpa de quem se senta,
um cansado viajante sem bússola
que, parando de senzala em senzala,
reencarna nos trilhos das estrelas!

Só conseguiu fugir da senzala
aquele que saltou no abismo.
Antes coisificado, agora um conjunto
de significados à base de codificação.
Hoje, quando o tempo é patológico,
a tristeza é uma opção psicótica.
Grilhões enferrujados nos habitam.
Fugir de si, ou fugir para si?
Eis a mais difícil indagação! 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Quem Restou, Pandora?
















Rugas e marcas escondidas
e a única que persiste e insiste
é saber se estás feliz e bem.
Hoje, neste nublado dia derradeiro
no qual repagina-se um quadrante
cíclico, num prolixo retrospecto,
vejo, com inexpressível pesar
e inesperado desespero,
que passei
de um canto ao outro
sem dar
um passo...

Tudo se despedaçando ao redor
deste incômodo com semblante de cristal.
Heróis decapitados num triste perfil
da manhã de espelhos desorientados.
De olhos vendados, um gigante que
retrocede em busca do velho erro
que se faz novo e novamente falhará.
Deveras, nenhuma dúvida que me arreste!
O passado regressando em largo trote
no vermelho do batom que não purgará.

Sobre a economia, contas a pagar!
Tudo o que nunca me pertenceu
num tecido intangível de dívidas
com as quais perpetuam uma vivência
que ainda jogam-me às costas!
São prestações dos sonhos de Prometeu!
Pré-datados na imersão de pensamentos
e desejos sem meios e sem fundos.

Se perguntasses
o que espero destes novos tempos...
Se indagasses,
responder-te-ia ser uma expectadora
revisando, nestas quatro telas,
os reflexos cartesianos
de nossa inefável ambição.

Se me soltasses,
certamente, num certame,
cairia como tola opositora,
agonizando, nas margens do Ipiranga,
o meu primeiro e derradeiro "foda-se".
Se olhasses
dentro deste pedante caixão
verias, tão somente e simplesmente,
que te esperei demais,
e nada mais.